
18/06/2026
Em sua primeira participação solo na CASACOR São Paulo, a paisagista Maria Fernanda Marques leva sua proposta de paisagismo ecológico para a fachada do evento. São mais de 3 mil plantas de 70 espécies diferentes, sendo 99% nativas, reunidas ao trabalho de artesãos e artistas de diversas regiões do Brasil.
Intitulado “Da Terra ao Solo”, o projeto do jardim foi pensado para despertar os sentidos e reaproximar o ser humano da natureza e de si mesmo. “Ocupar a maior e mais visível área da mostra não é acaso: é dar à natureza e a quem a cultiva o lugar de destaque que elas merecem”, afirma a profissional.
A proposta dialoga com o tema Mente e Coração da edição CASACOR São Paulo 2026.
O nome do projeto carrega a sua essência. A terra, sozinha, é matéria pobre, sem vida e sem trocas. O solo é outra coisa: é a terra que ganhou vida, onde raízes, microrganismos, água e minerais se relacionam e se complementam, sustentando tudo o que existe sobre o planeta. Transformar terra em solo é a base de qualquer jardim. E é também o resumo do que aconteceu no espaço.
As imagens do antes e depois revelam a transformação de um chão empobrecido em um ecossistema rico, biodiverso e em equilíbrio, onde cada elemento beneficia o outro.
Não é por acaso que o jardim ocupa a fachada. Estar na entrada da mostra é um gesto simbólico: de colocar a reconexão com a natureza diante dos olhos, antes de tudo. O contato com o verde está associado à queda dos níveis de estresse e de ansiedade, à redução da pressão arterial e ao aumento das sensações de prazer e tranquilidade. No Japão, o banho de floresta já integra recomendações médicas. Mente e coração batem no mesmo compasso quando a natureza está por perto.
Os caminhos são tortuosos, de formas orgânicas, feitos para desacelerar o passo e devolver o tempo a quem caminha. A vegetação avança sobre o percurso, entra pelas bordas e se mistura ao piso, de modo que natureza e caminho se completam e se equilibram com naturalidade.
Muitas das 70 espécies diferentes, sendo 99% nativas do Brasil, vieram para devolver ao parque a vegetação que um dia foi retirada dali, mas o jardim vai além das fronteiras locais e propõe ser o país do presente, na valorização da arte, a cultura e do ambiente natural biodiverso.
As obras do artista João Machado são casas projetadas para abrigar abelhas nativas sem ferrão, feitas por processos ancestrais de queima, e no espaço cumprem o papel de despertar a consciência sobre o quanto os polinizadores são essenciais à vida. As abelhas nativas chegam a elevar em até 30% a produção de flores e frutos de um jardim. Ao lado delas, um hotel de insetos construído artesanalmente, com técnicas e elementos naturais, reforça o convite a enxergar esses seres com outros olhos. Em pouco tempo, o jardim passou a receber a visita de saguis, pássaros, abelhas e uma diversidade de insetos, sinal de que o bioma voltou a pulsar. Sem eles, não haveria vida sobre a Terra.
O espaço é uma reverência ao que o Brasil cria com as próprias mãos. O banco Cacau e outras peças de Jay Boggo, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea. O mobiliário da Casa Teo, que carrega a memória do design nacional. As obras de Carol Ambrosio, que unem esculturas de concreto a peças antigas garimpadas ao longo do tempo, na técnica do assemblage. Um quadro da Casa Bast e os objetos de coração de O Designer Artesão conversam com a poesia do lugar. Cada peça é também um ofício preservado, uma história brasileira que se recusa a desaparecer.
Leia a reportagem na íntegra clicando no CicloVivo
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